Separatismo não é um luxo: algumas ideias sobre separatismo e classe. C Maria.

Separatismo não é um luxo: algumas ideias sobre separatismo e classe

Por C. Maria

Julia Penelope, em “O Mistério das Lésbicas”, pergunta, “COMO, apesar do escárnio, encarceramento, violência, e pobreza, nós encontramos coragem PARA CRIAR NÓS MESMAS??”(1) Essa questão reacendeu minha raiva por ter ficado desempregada nos dois anos que se seguiram à minha graduação na faculdade em 1986, assim como pela pobreza que mulheres são forçadas a aguentar. Mas como uma Afro-Latina Dyke (N.T: Sapatão) vivendo e trabalhando no heteropatriarcado racista,(2) eu era levada a considerar o presente sistema falocrático e me perguntava como seria possível para Lésbicas Separatistas se mover além de um foco em classe.

Meu ponto nesse texto é que feministas socialistas estão erradas em insistir que Lésbicas foquem em classe. Elas ignoram a conexão entre privação econômica e o sistema sexual de castas, onde homens fazem que as vidas das mulheres sejam quase não vivíveis. Nós vivemos em um mundo que está pronto pra preparar nossas piras funerárias diariamente.(3) Muitas Lésbicas, ao focarem-se em classe, não entenderam a importância do separatismo, que é tornar nossas vidas Lésbicas vivíveis no presente. Isso não é viver “um dia a cada vez.” Antes, Lésbicas precisam ser ativas, criativas, e participantes rigorosas da nossa realidade presente. Para esse fim, eu concluo com uma proposta. Socialismo não é a resposta

A maioria das mulheres não podia se importar menos com o separatismo. Essa ignorância proposital não apenas vem de não-feministas e anti-feministas, mas também de feministas que deviam saber melhor, mas ainda assim escolhem ignorar o separatismo até mesmo como uma possibilidade. Parte dessa ignorância é causada pelo medo da represália dos homens. Mas medo sozinho não parou muitas Lésbicas e Feministas Radicais de imaginar um mundo livre da violência e opressão masculina. Então, o que mais está por traz dessa ignorância?

A única forma de justificar essa dispensa é a crença entre feministas liberais, socialistas/da esquerda heterossexuais e lésbicas de que alguns homens, particularmente homens pobres e homens etnicamente diferentes, são mais oprimidos que mulheres no geral. Elas dizem que esses homens não se beneficiam da opressão sexual das mulheres. bell hooks vai até o ponto de justificar crimes sexuais masculinos cometidos contra mulheres e defender que homens são as reais vítimas.

‘Alienado, frustrado, bravo, ele pode atacar, abusar, e oprimir qualquer mulher individual ou mulheres, mas ele não está colhendo benefícios do seu apoio a uma ideologia sexista. Quando ele espanca ou estupra mulheres, ele não está exercendo privilégio ou recebendo qualquer prêmio positivo; ele pode se sentir satisfeito
exercendo a única forma de dominação a que é permitido’ ênfase minha – da autora – .(4)De fato, o abuso físico e sexual que vem do privilégio heterossexual masculino é tão penetrante e opressivo, que as mulheres menos privilegiadas e as NÃO privilegiadas muitas vezes se tornam SIM Lésbicas Separatistas.

Aquelas que enxergam Separatismo Lésbico como classista e racista negam as vidas de Lésbicas Separatistas, muitas das quais não são privilegiadas. Por exemplo, hooks vê separatismo como puramente uma questão de classe. ‘A maioria das mulheres não tem a liberdade econômica para se separar dos homens, por causa da interdependência econômica. A noção separatista de que mulheres podem resistir ao sexismo se retirando do contato com homens reflete uma perspectiva de classe burguesa.’(5) Hooks assume que todas as Separatistas são brancas e privilegiadas. Mas se o Separatismo é derivado de uma “perspectiva de classe burguesa”, a maioria das lésbicas mais privilegiadas seriam Separatistas, ou ao menos considerariam seriamente o separatismo. E existiriam menos Separatistas racialmente e etnicamente diferentes ou menos privilegiadas.

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No entanto, Separatismo É uma questão econômica. Lésbicas Separatistas estão dolorosamente conscientes de que é o heteropatriarcado racista o que mantém as mulheres pobres. Nenhuma mulher, não importa o quão rica, tem poder irrevocável. Todo homem, não importa o quão pobre, tem algum poder irrevocável.(6) Na economia heteropatriarcal,(7) TODA mulher está economicamente presa aos homens. Jeffner Allen explica esse dilema:

‘Ainda que escolhamos viver como Lésbicas, nós somos obrigadas…a permanecer em relação à economia patriarcal… Nós somos obrigadas a permanecer em relação aos homens, especialmente para garantir acesso à comida, água, abrigo, roupas, e frequentemente, pelos bens e dinheiro que devem ser trocados por esses produtos.’

Qualquer mulher que se separa, mesmo que parcialmente, de um homem ou de homens, irá sofrer economicamente. Viver como uma Separatista implica tomar o risco de que o heteropatriarcado racista, a qualquer momento, tire os únicos meios de suporte disponíveis para que obtenhamos nossas necessidades básicas e mantenhamos qualquer qualidade de vida. Se tornar uma Separatista significa que a Lésbica colocou integridade acima qualquer outra consideração que a necessariamente a prendesse aos homens.

Feministas Socialistas, no entanto, diriam que mulheres menos privilegiadas deveriam manter-se aliadas aos homens EM NOSSOS GRUPOS, por que seria do “nosso” interesse. Mas homens menos privilegiados continuam igualando seus interesses aos interesses do “nosso grupo.” Se mulheres seguirem a prescrição feminista socialista, elas se manterão escravas econômicas e sexuais dos homens a que são forçadas servir. “Liberdade”, para feministas socialistas, significa manter solidariedade com homens menos privilegiados, não importa o quão sexualmente, fisicamente, ou psiquicamente abusivos eles são com as mulheres que têm o azar de estar por perto ou envolvidas com eles. Mulheres não são permitidas a se separar dos homens por nenhuma razão.

Segundo Alison Jaggar:

‘O que a poíttica do separatismo total ignora, todavia, é que alguns grupos de mulheres têm interesses em comum com alguns grupos de homens. Mulheres trabalhadoras têm interesses em comum com homens trabalhadores; mulheres Judias têm interesses em comum com homens Judeus; mulheres diferentemente capacitadas têm interesses em comum com homens diferentemente capacitados; e mulheres negras têm interesses em comum com homens negros.’(9)

O que Jaggar não explica é como mulheres negras, mulheres Judias, mulheres trabalhadoras, e mulheres diferentemente capacitadas, apesar de um forte comprometimento para acabar com todas as opressão, ainda têm a fortaleza/coragem de serem Separatistas. Ainda assim, feministas socialistas chamam Lésbicas Separatistas trabalhadoras, Semíticas,(10) diferentemente capacitadas, Afro-Amerikanas, Latinas, Amerikanas Nativas N.T. Indígenas, Asiáticas Amerikanas de racistas, classistas, antissemíticas, etaristas e capacitistas.

Jaggar continua:

‘… uma politica de separatismo total é necessariamente classista e racista, não importa o quanto classismo e racismo tenham sido erradicados dentro da cultura de mulheres. Em parte, é classista e racista pois o acesso à cultura de mulheres é mais difícil para mulheres pobres e negras, assim como é mais difícil para tais mulheres ser exclusivamente lésbicas. Em um nível mais fundamental… separatismo total é classista e racista por que nega a importância das divisões de classe e raça… Consequentemente, nunca poderá ser efetivo em trazer uma transformação social de longo alcance’ ênfase minha.(11)

Jaggar se contradiz imediatamente nessa declaração. Se classismo e racismo estão exterminados na “cultura de mulheres”, por que ela ainda a vê como classista e racista?

A contradição não a perturba, ou então ela teria pensado melhor esse comentário. Qualquer coisa desejável é mais difícil de se obter para mulheres menos privilegiadas. Mas ela prefere focar na ideia de que mulheres menos privilegiadas são supostamente incapazes de serem Lésbicas. A mentalidade dela é a mesma que a de muitos países socialistas, como Cuba, que proclamam que Lésbicas são um resultado de uma influência burguesa perversa e regressiva. Eles apoiam a heterossexualidade compulsória fazendo das Lésbicas criminosas.

O feminismo Socialista sofre de uma falta de inteligência moral e ética. Quando feministas socialistas nos dizem que somos classistas e racistas por sermos Lésbicas Separatistas, elas estão escondendo sua própria falha moral de considerar o mesmo para si. Feministas Socialistas presumem que mulheres economicamente, racialmente e etnicamente oprimidas não são inteligentes o suficiente para tornar nossas vidas o quão vivível for possível, ou para escolher nossos ideais e como agir em relação a eles. Elas presumem que nós devemos ser “resgatadas” e colocadas de volta nas “graças” do heteropatriarcado racista.

É impossível para Lésbicas Separatistas, especialmente para as Lésbicas Separatistas racialmente e etnicamente diferentes, ignorar raça e economia por que essas são nossas realidades diárias. Nós entendemos muito bem o que nos divide. E não importa quantas dessas dicotomias existam, nós NOMEAMOS os agentes responsáveis por essas FALSAS diferenças impostas.Enquanto Lésbicas Separatistas não têm como ignorar raça e economia, é a força de nossas diversidades E similaridades que trará transformação social REAL, uma muito além do alcance do feminismo socialista.
O Resultado

Muitas feministas, particularmente feministas liberais e socialistas, defenderão trabalhar
na economia masculina baseadas no fato de que fazer isso elevará nossa condição socioeconômica.

Mas, como Jeffner Allen afirma, “homens, não mulheres, conquistam uma vantagem monetária…” (12) Status de classe é algo que possuem os homens que trabalham na heteroeconomia patriarcal. As mulheres não têm status de classe. A estrutura de classe masculina define e prescreve a servidão econômica, emocional e sexual aos homens, enquanto a heteroeconomia patriarcal constrói a base concreta para a opressão econômica das mulheres. A heteroeconomia patriarcal, pagando às mulheres os salários mais baixos, nos coage a permanecer sob dominação racista heteropatriarcal. Terrorismo sexual no ambiente de trabalho estende a contínua servidão das mulheres além do âmbito doméstico falocrático. Por sua vez, esse terrorismo força as mulheres à esfera “privada”, onde o terrorismo pode continuar em segredo. Como o estupro e a pornografia, o terrorismo sexual no ambiente de trabalho diz às mulheres o que os homens pensam de nossa presença, nossa existência e nosso lugar no heteropatriarcado racista.

As mulheres não adquirem status de classe por nosso próprio mérito, mas antes como anexos socio-econômicos, políticos e sexuais dos homens. Qualquer mulher que recuse ser um anexo de homens perde os “benefícios” da economia masculina. A Separatista Lésbica não é parte da heteroeconomia patriarcal. Tampouco o é qualquer mulher que não seja um anexo de um homem.

A pobreza não é algo inteiramente próprio da heteroeconomia patriarcal. Os níveis da estrutura de classe implicam em que membros tenham mobilidade “ascencional” (13).
Essa mobilidade é mobilidade fálica. As mulheres, seres não fálicos, são automaticamente excluídas. Para sobreviver, mulheres autônomas, incluindo Separatistas Lésbicas, trabalham no sistema econômico masculino exercendo tarefas que definem nossa falta de status de classe. Somos forçadas a viver como trabalhadoras migrantes estáticas, que precisam ganhar nosso sustento e nunca reclamar de nossa condição, ou afundamos ainda mais na degradação.

A falta de um status de nossa própria classe de mulheres pode ser mais evidentemente vista em indústrias de “serviços”, como restaurantes e bares, escritórios corporativos e estabelecimentos de vendas. As mulheres são a maioria dos trabalhadores de baixo nível nessas indústrias. Normalmente trabalhamos 8 ou mais horas por dia, frequentemente por salário mínimo. Alguns empregos, particularmente em restaurantes, pagam menos que o mínimo, forçando as mulheres a viver de gorjetas recebidas por sorrirem, serem gentis e condescendentes (14). Esses empregos requerem pouca formação educacional e oferecem poucas oportunidades de promoção ou aumento de salário. Não é surpreendente que esses empregos tenham altas taxas de rotatividade, porque as mulheres que o exercem são facilmente dispensadas.Fazendo mulheres exercerem tarefas degradantes e repetitivas, os homens que controlam a heteroeconomia patriarcal podem continuar a fazer o que quer que eles escolham sem pensar sobre as consequências. Os homens continuam, com total confiança, a desperdiçar e destruir, sabendo que eles têm mulheres bem condicionadas a reparar tudo para eles. As mulheres “pegam o trabalho sujo, se encarregam do entulho material e psíquico (…), produzem apenas outra variante do autossacrifício feminino e do trabalho doméstico, varrendo as ruínas do patriarcado” (15).

A Lésbica Separatista escolheu derrotar os homens, odiar os homens (16), a fim de defender as mulheres e nossa liberdade de sermos nós mesmas. O preço para manter nossa integridade é quase sempre a pobreza, a violência, a degradação e a negação de necessidades básicas. Apesar da pobreza sofrida e dos obstáculos colocados à nossa frente, nós sabemos que estamos certas (17). E por causa da alegria e da liberdade que irradiamos, nossos inimigos sabem que estamos certas.

‘Considere o caso dos guerreiros Masai, um grupo de pastores que vivem no Quênia e em partes da Tanzânia. Apesar das mulheres cuidarem do gado, a fonte de riqueza do grupo, seus maridos são os donos, e o gado é passado como herança para seus filhos. Se uma mulher dá à luz apenas meninas ou é incapaz de gerar crianças, ela é ostracizada e forçada a viver por conta própria. Ela não é valorizada como mulher por seu próprio direito. Ela é valorizada apenas se ela toma conta do gado e dá filhos a seu marido. Suas filhas não poderão cuidar dela quando ela envelhecer. Elas devem partir quando se casarem com homens nas aldeias vizinhas, forçadas a repetir o mesmo padrão que sua mãe sofreu quando era jovem’ (18).

Uma vez que o poder concedido às mulheres pelos homens é revogável, não se pode dizer de nenhuma mulher que é economicamente rica, porque ela não vive numa economia ou numa sociedade baseada em valores femininos.

Uma Proposta

Muitas feministas não querem reconhecer o quanto elas se tornaram confortáveis com o privilégio heterossexual delas no sistema opressivo que muitas outras mulheres querem deixar para trás. Elas continuam pedindo por privilégios para elas mesmas, enquanto as condições para a maioria das mulheres permanecem inalteradas. Poucas feministas propuseram a abolição do heteropatriarcado racista, porque para isso elas teriam que confrontar sua própria cumplicidade e a dolorosa subordinação que os homens forçaram às mulheres através de terrorismo, doutrinação, privação e mentiras. (19)

Nós podemos começar, mesmo que de forma modesta, a romper com a economia masculina. Lésbicas Separatistas e Feministas Radicais já começaram, recusando estar com homens ou fornecendo as necessidades, desejos e caprichos deles em nossas vidas pessoais/políticas. Embora mulheres heterossexuais também possam contribuir com essa ruptura, através da sabotagem, é improvável que elas coloquem elas mesmas e outras mulheres acima das prioridades masculinas. Lésbicas separatistas podem fazer muito mais:

Nós podemos romper com a heteroeconomia patriarcal através do sistema de troca, onde bens e serviços podem ser trocados diretamente por outro, ao invés de dinheiro. Por exemplo, se eu preciso trocar minha janela quebrada, eu posso ter uma amiga que é uma vidraceira especialista para repor minha janela em troca que eu arrume o carro dela quando precise, no presente ou futuro. Nós podemos obter o que precisamos sem o uso de dinheiro. Nós também podemos criar nosso próprio sistema monetário através do uso de um sistema de comprovante que apenas Sapatas trabalhando juntas reconheçam. Esses comprovantes podem ser usados para obter necessidades básicas e serviços de Sapatas com habilidades especializadas. Uma forma simular de ruptura é se negar a pagar impostos. A maioria do dinheiro de pagamento de impostos vai diretamente para a máquina do lixo falo-militar para inventar mais armas para aniquilar a vida sensível. O resto é usado para se manterem supostos eleitos e nomeados ‘’oficiais’’ e ‘’oficiais’’ corporativos no sistema masculino heterossexual assassino, branco e rico. Os dois mais recentes exemplos descarados são o roubo de milhões de dólares do dinheiro da moradia federal e o roubo de bilhões de dólares por poupanças e empréstimos executivos. O sistema de impostos é outra forma de parasitismo masculino, drenando a energia das mulheres através de trabalho degradante para nutrir a ganância insaciável deles e o ódio pela vida.

Há métodos ilegais que podem ser perseguidos, tais como dinheiro de contrafacção, explorando a oferta de moeda que é regulada por computadores, interrompendo negócios do Wall Street e outros centros financeiros onde o negócio do patriarcado e da heteroeconomia é realizado todos os dias. Nós podemos nos organizar em quadros de ladras para roubarmos necessidades básicas e dinheiro para nossa vida diária. Com o aumento da habilidade, nós também podemos ensinar outras lésbicas como roubar. Nós podemos ir a prédios abandonados e renová-los para viver e/ou para propósitos políticos. Lésbicas são frequentemente negadas nos espaços, até por feministas. A renovação de prédios seria um bom modo de reivindicar o nosso tão necessário espaço e pensar e agir para o nosso bem-estar.

Para aquelas que têm filhas meninas, nós também podemos nos recusar a mandá-las para escolas públicas e privadas. Nós podemos criar no lugar nossas próprias escolas Lésbicas Radicais. Alguns fundamentalistas cristãos têm resistido em mandar seus filhos para escolas públicas, porque, na opinião deles, valores racistas heteropatriarcais não são promovidos o suficiente. Eles atualmente querem tomar o controle do sistema de escola pública tirando as poucas ‘’reformas’’ que a educação tem sido permitida a fazer. Contudo, a maioria das escolas cristãs continuam a ensinar valores racistas heteropatriarcais e promovendo os ‘’maravilhosos’’ homens brancos, enquanto as mulheres são ignoradas ou mostradas em papeis de suporte de estereótipos.

Os agentes do sistema monetário de impostos estão executando uma proteção agitada no
sistema educacional, que vai aceitar dinheiro em termos dos agentes. Uma educação Radical Lésbica seria baseada em valores que mantenham nossa inteligência e
integridade moral. Nós podemos aprender sobre a vida de nossas irmãs antepassadas, lutas e realizações e sobre o que tem sido feito no presente. Algumas feministas propuseram destruir o sistema trabalhando na economia masculina, especialmente em um banco ou corporação grande, mas dando o dinheiro para nossas causas. Não há nada inerentemente errado em tirar o dinheiro que ganhamos em nossos empregos na heteroeconomia patriarcal e usar ele em causas Lésbicas. Essa é uma boa estratégia, dar de volta a energia para nós Mesmas e para as outras. Nós precisamos encontrar todo modo possível para tirar dinheiro da economia masculina para o nosso bem estar. Mas nós devemos entender que tal estratégia é de curto prazo e deve contribuir para metas em longo prazo. Também deve ser entendido que isso é muito difícil, embora não impossível, trabalhar em uma corporação, um grande negócio, ou no governo, e simultaneamente manter a perspectiva e cólera da Sapatão Radical.

A corporação, o estado, a família heteropatriarcal, todos têm as mesmas linhas hierárquicas e ‘’relacionais’’ de superioridade e subordinação. Ao contrário das mulheres, especialmente Lésbicas Separatistas, que são removidas se não se submeterem e existirem para os homens. Ao contrário das mulheres que também são mantidas, pela estrutura corporativa masculina, como exemplo para todas as outras mulheres do que será o destino deles se mudarem o sistema. A razão, inteligência e cólera das mulheres são fragmentadas, dissipadas e propositalmente desviadas (20) com o objetivo de manter o poder corporativo. A economia masculina precisa da cumplicidade das fêmeas, a qualquer preço, incluindo para a destruição do conhecimento e paixão das mulheres. A corporação é parte do esquema de mobilidade fálica ascendente. E como nós vimos, as mulheres não podem alcançar mobilidade ascendente na heteroeconomia patriarcal.

Nós devemos perceber que enquanto nós trabalharmos na economia masculina, as fêmeas não vão se beneficiar do trabalho que os homens nos disseram para fazer. Um passo crucial para terminar com a heteroeconomia patriarcal, e, por fim, o racismo heteropatriarcal, tem sido proposto por Susan Cavin e deve ser ao menos considerado por TODAS as Lésbicas Separatistas. E é parar de trabalhar para homens em qualquer circunstância.

‘… é quando o oprimido para de trabalhar para os opressores… que as soluções libertadoras são atualizadas. Enquanto as mulheres trabalharem na economia patriarcal elas permanecerão oprimidas.’ (21)

Nós podemos ser muito criativas em nossos métodos de ruptura. Mas nós temos que terminar com a heteroeconomia fálica que perpetua a estrutura de classe masculina e o sistema de valores masculinos. Então poderemos continuar a criar a sociedade ginocentrada que nós já começamos. Nós devemos agir agora, porque nós reconhecemos o heteropatriarcado racista pelo que ele é; nós devemos ‘’torná-lo inofensivo e… ver como alguém vive sem isso.’’ (22)

Lésbicas e nossa libertação são, ou deveriam ser, as considerações mais importantes em
nossas vidas. Atribuir a nós Mesmas e cada uma das outras menor valor é um perigo a nós todas.
Notas

1. Julia Penelope, “O Mistério das Lésbicas: IL” Éticas Lésbicas 1:2 (1985), p. 53.
2. É impossível não considerar o patriarcado tão racista quando lesbofóbico. Portanto, eu tive que escolher expandir o insight original que Julia Penelope teve quando ela cunhou o termo heteropatriarcado, que eu encontrei primeiro no artigo dela, ‘’Estamos reivindicando o passado DE QUEM?” Vidas Comuns, Vidas Lésbicas 13 (Autumn 1984), p. 19.
3. A Inquisição na Europa tem sido referida por Starhawk como Os Tempos Ardentes. A verdade é que desde o começo do heteropatriarcado racista, os corpos, mentes e espíritos das mulheres têm sido imolados nas piras de morte falocráticas. A evidência da queima de mulheres é global porque a falocracia é global.
4. bell hooks, Teoria Feminista: Da Marginalidade ao Centro (Boston: South End Press, 1984), p. 73.
5. ibid., p. 77.
6. Embora esse insight/incito esteja ao redor do movimento Feminista há algum tempo, isso é sempre Original. Entre aquelas que des-cobriram está Anna Lee em seu artigo, ”Uma Negra Separatista”, Visões Internas 5:3 (1981), p. 31.
7. Um termo que eu cunhei para mostrar como a exploração de todas as mulheres pelos homens está conectada à economia que mantém a heterossexualidade como o ”estandarte” e força as mulheres a permanecerem em relações com homens.
8. Jeffner Allen, “Economias Lésbicas.” Trivia 8 (Winter 1986), p. 40.
9. Alison Jaggar, Políticas Feministas e Natureza Humana (Totowa: Rowman e Allanheld, 1983), p. 296.
10. Eu não escrevi propositalmente ‘’Judia’’. Isso não foi feito por desrespeito às Sapatas Separatistas Judias, mas para incluir nossas irmãs árabes que são Lésbicas Separatistas.
11. Jaggar, Ibid.
12. Allen, p. 49.
13. Eu não estou propondo nenhuma forma de mobilidade ‘’descendente’’. Quando mulheres estão ganhando 65 centavos para cada dólar que os homens ganham, quando mulheres graduadas ganham MENOS que homens educados até a oitava série, quando mulheres não podem conceder o dia para cuidarem de crianças pequenas, quando é estimado que no ano 2000, virtualmente todos os pobres serão MULHERES E CRIANÇAS, nós não somos móveis ‘’descendentes’’. Nós somos IMÓVEIS!
14. Um ponto pessoal/político. Depois de trabalhar em uma grande variedade de restaurantes nos últimos anos, eu fiz esta observação: Embora muitos homens trabalhem em restaurantes, eles geralmente não trabalham nos restaurantes sujos ou de fast-food. Como restaurantes se tornaram mais ‘’chiques’, atendendo à clientela que eles querem atrair, homens são vistos nesses estabelecimentos como empregados, onde o pagamento, benefícios e oportunidades de avanço são bem melhores. As mulheres nunca são vistas como empregadas nesses restaurantes. VOCÊ apoia esse caso de opressão comendo nesses restaurantes?
15. Christina Thurmer-Rohr. ‘’Da Decepção à Não-Decepção: Sobre a Cumplicidade das Mulheres’’. Trivia 12 (Spring 1988), p. 69.
16. Ver a discussão de Jeffner Allen sobre o ódio aos homens no ensaio dela, ‘’Recordando: Um Dia Eu Serei Meu Próprio Começo’’. Em seu Filosofia Lésbica: Explorações (Palo Alto: Instituto de Estudos Lésbicos, 1986), pp. 19-24.
17. Marilyn Frye, “Algumas Reflexões sobre Separatismo e Poder.” Em seu A Política da Realidade: Ensaios sobre Teoria Feminista (Trumansburg: The Crossing Press, 1983), p 98.
18. Eu ouvi pela primeira vez sobre as vidas das mulheres Masai em um filme que eu vi em uma aula de sociologia do gênero em Abril de 1985. O compromisso delas é o compromisso de muitas mulheres em todo o mundo, incluindo na América, onde as mulheres mais velhas, depois de fazerem muitos sacrifícios para criarem seus filhos e manter a casa, frequentemente se encontram com nada para mostrar de seu trabalho duro, especialmente se seus maridos morrem ou se divorciam delas. Há também uma história interessante contada sobre a propriedade masculina do gado. Na história pré-patriarcal, as mulheres eram proprietárias do gado e eram responsáveis por tomarem todas as decisões. Mas veio uma seca durante o verão e matou todo o gado. Quando elas estavam aptas a reabastecer o gado, os homens tiraram tudo das mulheres, desde as posições de responsabilidade à propriedade do gado. Aqui nós temos mais evidências que não vivemos sempre em uma sociedade patriarcal. Ainda o fato de que essa história, atribuindo culpa às mulheres por um desastre natural, foi contada por uma mulher mostrando a cumplicidade feminina em justificar e manter as mentiras e controle masculino.
19. Gerda Lerner, A Criação do Patriarcado (Nova York: Oxford Univ. Press, 1986), p. 217.
20. Ver Mary Daly, Luxúria Pura: Filosofia Feminista Elementar (Boston: Beacon Press, 1984), p. 206-7, para a discussão dela sobre as paixões e conhecimento das mulheres e como elas foram fragmentadas e dissipadas pelo heteropatriarcado racista.
21. Susan Cavin, Origens Lésbicas (São Francisco: Ism Press, 1985), p. 153.
22. Thurmer-Rohr, p.. 74.